“É possível estudar fora em tempos de crise”, diz especialista.

February 16, 2016

 

  Cada nova notícia sobre a crise econômica no Brasil e a alta do dólar é um golpe para quem sonha em estudar no exterior.  E com razão. Em um cenário de instabilidade e desvalorização do real, é preciso cautela e muito planejamento. Mas isso não significa que o seu sonho tenha necessariamente que ser adiado.

 

  "O mercado de trabalho responde bem à experiência internacional e especialmente ao domínio línguas"

 

  O primeiro passo para estudar fora em tempos de crise, diz o educador financeiro Reinaldo Domingos, é colocar tudo no papel:  dos objetivos com a viagem aos gastos para se viver no exterior. “Para poder enxergar todos os valores e logísticas envolvidos, é preciso fazer um diagnóstico que começa com saber o que se quer”, afirma ele, que é autor do livro Terapia Financeira e presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin).

 

  Além de explorar todas as opções de destino, da Asia a países europeus menos cobiçados, Reinaldo diz que é primordial definir o motivo da viagem. É um hobby ou uma necessidade profissional?  O que eu vou efetivamente fazer no exterior? O que eu pretendo como resultado? Reflita e anote tudo.

 

  Se o seu objetivo é o desenvolvimento profissional, pense também onde buscará oportunidades na volta.  “É possível até buscar emprego enquanto ainda estiver lá, já que hoje permite-se participar de seleções pela internet e coisas do tipo”, lembra.

 

  Depois, é hora de preencher a planilha com informações práticas: custos de vida e do curso, preços de passagens, seguro-saúde, tipo de moradia… Além de vasculhar online, Reinaldo indica procurar alguém que esteja no país de interesse e obter informações direto dessa pessoa em relação ao custo de vida e à cultura local. Também vale uma visita a agências de intercâmbio para informações e valores”, diz.
 

  Ao valor final, adicione outros 50% como margem de segurança, caso ocorra algo não planejado. Se essa quantia não for utilizada, ela te ajuda no retorno, um outro ponto importante e frequentemente deixado para depois. “Estar de volta com alguma estabilidade é um desafio, já que algumas pessoas gastam tudo que tem”, adverte ele.

 

  Com o número ideal em mãos, vem a parte difícil. Feche a carteira, reduza os gastos ao mínimo e aprenda a viver com a adversidade de gastar (muito) menos até atingir a quantia necessária.

 

O investimento pode parecer lento e por vezes sofrido, mas Reinaldo – que buscou ele mesmo, aos 50 anos, seu mestrado nos EUA – garante que vale a pena.

 

“Independente do preço da moeda, o mercado de trabalho responde bem à experiência internacional e especialmente ao domínio línguas”, diz. “E não há preço caro pelo conhecimento: só o que tem é investimento mal feito.”

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